30 Anos de Terror: Como Resident Evil 1 Mudou os Games Para Sempre

Em 22 de março de 2026, Resident Evil completou exatamente 30 anos desde seu lançamento original no PlayStation, em 1996. A Capcom celebrou o marco com exposição em Tóquio, concertos mundiais, colaboração com a Universal Studios Japan e o lançamento de Resident Evil Requiem — nono título principal da série, que já ultrapassou 6 milhões de jogadores. Uma franquia que nasceu num corredor escuro e não parou mais.

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Thiago Regis

9/22/20264 min ler

30 Anos de Terror Como Resident Evil 1 Mudou os Games Para Sempre
30 Anos de Terror Como Resident Evil 1 Mudou os Games Para Sempre

Era 22 de março de 1996. No Japão, um jogo chamado Biohazard chegava às prateleiras para o PlayStation original com uma proposta que parecia, ao mesmo tempo, simples e completamente nova: controlar um personagem preso em uma mansão cheia de mortos-vivos, com recursos limitados, ângulos de câmera fixos que criavam tensão visual constante e uma atmosfera de horror tão densa que muitos jogadores largavam o controle no meio da partida — de medo mesmo.

Trinta anos depois, o que nasceu como Biohazard — lançado no Ocidente como Resident Evil — é uma das franquias mais longevas, lucrativas e influentes da história dos videogames, com mais de 150 milhões de cópias vendidas em todos os títulos combinados e um impacto cultural que vai muito além das telas.

A origem: uma mansão, zumbis e câmeras fixas

Resident Evil 1 foi desenvolvido pela Capcom e dirigido por Shinji Mikami — hoje reconhecido como um dos maiores game designers da história. A inspiração veio de "Sweet Home", jogo de RPG japonês de 1989 baseado num filme de terror, e da ideia de criar uma experiência de horror genuinamente interativa que aproveitasse os recursos técnicos do PlayStation de forma inteligente.

A solução foi brilhante na sua limitação: câmeras de ângulo fixo pré-renderizadas que escondiam o que estava além do quadro, criando suspense permanente. Os personagens se moviam de forma lenta e deliberada — não por erro de design, mas por escolha calculada para aumentar a sensação de vulnerabilidade. Os itens eram escassos, os inimigos resistiam a tiros e os enigmas exigiam exploração cuidadosa do ambiente.

O resultado foi um jogo que criou, na prática, o gênero survival horror moderno. Antes de Resident Evil, existiam jogos de terror. Depois dele, existia uma categoria inteira de design fundamentada na escassez, na atmosfera e no medo de desperdiçar a última bala.

O elenco original — Chris Redfield, Jill Valentine, Albert Wesker e Barry Burton — entrou para o imaginário dos games com a mesma força que personagens literários ou cinematográficos. As cutscenes com atores reais filmados em live-action, hoje famosas pela atuação exageradamente dramática, tornaram-se parte do charme cult do título. "Jill sandwich" é uma das frases mais citadas na história dos videogames.

Três décadas de evolução — e os 30 anos em 2026

Entre 1996 e 2026, a franquia passou por transformações radicais: saiu dos corredores angustiantes da Mansão Spencer, atravessou Raccoon City em chamas, viajou para a Europa rural, os Alpes nevados e uma aldeia europeia medieval, enfrentou corporações farmacêuticas e bioterrorismo global. Acumulou mais de 30 títulos entre jogos principais, spin-offs, remakes e adaptações — além de filmes, séries animadas e a série live-action da Netflix com os personagens originais.

Em 2026, a Capcom celebrou os 30 anos com uma agenda de atividades sem precedentes. Em março, o produtor executivo da série, Jun Takeuchi, publicou carta aberta agradecendo aos fãs e comemorando o sucesso de Resident Evil Requiem — o nono título principal, que retornou a Raccoon City e combinou em um único jogo os dois pilares da franquia: horror puro e ação intensa. Requiem atingiu 6 milhões de jogadores em tempo recorde.

Em setembro, durante o Capcom Spotlight TGS 2026, novas celebrações foram anunciadas: a exposição "The World of Biohazard 30th Anniversary", que abre em 30 de outubro na Shibuya BEAM Gallery, em Tóquio, e vai até 24 de dezembro — com estátuas em tamanho real de Leon Kennedy e Lady Dimitrescu, ambientes temáticos inspirados nos principais títulos da série e merchandising exclusivo. Também foram confirmados concertos comemorativas com músicas da franquia ao vivo na Europa e na América do Norte, além da experiência de terror "Resident Evil Requiem: The Dive" na Universal Studios Japan — um labirinto ambientado no Hotel Wrenwood abandonado, cenário central do jogo mais recente.

Nos bastidores, a comunidade aguarda o anúncio oficial do remake de Resident Evil Code: Veronica — fortemente rumoriado como o próximo projeto dos diretores dos remakes de RE2 e RE4 —, que seria o grande presente simbólico para os fãs do título mais subestimado da franquia.

Trinta anos depois de uma porta que se abria lentamente enquanto uma trilha sonora assustadora tocava ao fundo, Resident Evil segue mais vivo do que nunca — e mais assustador também.

  • Resident Evil 1 (1996) foi o jogo que criou o gênero survival horror moderno: câmeras fixas que escondiam ameaças, recursos escassos, inimigos resistentes e atmosfera opressiva foram escolhas deliberadas de design feitas pelo diretor Shinji Mikami para maximizar a sensação de vulnerabilidade e tensão — fórmula que influenciou diretamente toda uma geração de jogos, de Silent Hill a Dead Space, de Alien: Isolation a The Last of Us.

  • A celebração dos 30 anos em 2026 foi a maior ação comemorativa da história da Capcom para uma única franquia: exposição física em Tóquio com estátuas em tamanho real, concertos ao vivo na Europa e América do Norte, atração de terror na Universal Studios Japan e o lançamento de Resident Evil Requiem como presente oficial do aniversário — título que superou 6 milhões de jogadores em poucas semanas e foi eleito por múltiplos veículos especializados como um dos melhores jogos de 2026.

  • O futuro da franquia é especialmente promissor: rumores sólidos indicam que o remake de Resident Evil Code: Veronica está em produção, conduzido pelos diretores que assinaram os aclamados remakes de RE2 e RE4. Se confirmado, o projeto representaria a redenção de um dos títulos mais importantes e menos jogados da série — lançado originalmente para Dreamcast em 2000 e nunca remasterizado com a seriedade que os fãs pedem há mais de duas décadas.

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