Lula Reajusta Bolsa Família em 15% a 17 Dias da Eleição; Mercado Reage
O governo Lula anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15% no Bolsa Família, elevando o piso de R$ 600 para R$ 691 e a média de R$ 691 para R$ 777. O custo é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027. A medida foi publicada no Diário Oficial e já vale a partir da folha de outubro.
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Thiago Regis
9/18/20263 min ler


O anúncio foi feito pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, ao lado do presidente Lula, em cerimônia em Brasília. A justificativa oficial é técnica: a lei do Bolsa Família autoriza reajustes para repor perdas inflacionárias, e o INPC acumulado desde o início do programa até agosto de 2026 atingiu exatamente 15,04% — ou seja, o reajuste foi calibrado para cobrir integralmente a inflação do período. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reforçou que a medida não altera as metas fiscais e que há espaço orçamentário para acomodar o impacto tanto em 2026 quanto em 2027.
Mas o contexto político transformou o anúncio econômico em um campo de batalha eleitoral imediato. Com Lula e o senador Flávio Bolsonaro empatados nas pesquisas e o primeiro turno marcado para daqui a 17 dias, a oposição não perdeu tempo. Romeu Zema (Novo) classificou a medida como "eleitoreira" e "irresponsável fiscalmente". Nikolas Ferreira (PL-MG) foi mais incisivo nas redes sociais e seu post viralizou em poucos minutos. O candidato Renan Santos (Missão) anunciou recurso imediato à Justiça Eleitoral para tentar derrubar o reajuste, chamando-o de "populista e criminoso". A ação do partido Novo também está sendo avaliada pelos advogados da sigla.
Enquanto a disputa política se acirrava, os mercados financeiros reagiram com preocupação. O Ibovespa reverteu ganhos imediatamente após o anúncio de Lula, o dólar subiu e os juros futuros avançaram. Analistas e gestoras passaram a incorporar dois vetores negativos no radar: o impacto fiscal maior do que o esperado para 2027 — onde R$ 22 bilhões de despesa adicional exigirão ajuste na Lei Orçamentária — e o risco eleitoral, já que uma medida de forte apelo popular pode alterar o equilíbrio em uma disputa que até ontem parecia tecnicamente empatada.
Para os quase 22 milhões de famílias beneficiárias do programa, no entanto, o reajuste representa um ganho real de renda: a família que recebia R$ 600 passará a receber R$ 691, com efeito imediato já no pagamento de outubro — o primeiro que sairá já com o novo valor. Economistas de diferentes espectros concordam que a expansão do consumo das famílias de baixa renda tende a ser imediata e concentrada em bens essenciais, com potencial de aquecer o varejo no quarto trimestre de 2026.
Historicamente, o Brasil já viveu cena semelhante: em 2022, o então presidente Jair Bolsonaro também ampliou o benefício social às vésperas das eleições — movimento que analistas classificaram à época como estratégia eleitoreira, exatamente o mesmo argumento que hoje a oposição usa contra Lula. O paralelo não passou despercebido nas redes sociais, onde o debate entre os dois campos políticos dominou os trending topics durante toda a manhã desta quinta-feira.
O reajuste entra em vigor em outubro, com impacto de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões nos anos seguintes, conforme publicado no Diário Oficial da União. O governo afirma que o espaço fiscal absorve o custo sem necessidade de cortar outras despesas ou mexer nas metas de resultado primário — argumento contestado por economistas do mercado financeiro.
Analistas apontam dois vetores negativos simultâneos: piora fiscal, com a necessidade de acomodar R$ 22 bilhões extras em 2027, e aumento do risco eleitoral, já que a medida pode ajudar Lula a recuperar aprovação em um cenário de empate nas pesquisas. O Ibovespa reverteu ganhos e o dólar subiu logo após o anúncio.
A oposição avançou também para o campo jurídico, com o candidato Renan Santos anunciando recurso imediato à Justiça Eleitoral, classificando o reajuste como "populista e criminoso", enquanto Romeu Zema e Nikolas Ferreira reforçaram nas redes sociais o enquadramento de uso eleitoral da medida.
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