A 17 Dias da Eleição, Flávio Aposta no 1º Turno Enquanto Lula Reage

Com o primeiro turno das eleições presidenciais marcado para 4 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) intensifica a campanha apostando numa vitória ainda no primeiro turno — enquanto as pesquisas mais recentes mostram Lula (PT) com vantagem de 4 a 6 pontos percentuais. O reajuste do Bolsa Família anunciado nesta quinta-feira complicou ainda mais o cenário para a oposição.

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Thiago Regis

9/18/20263 min ler

A 17 Dias da Eleição, Flávio Aposta no 1º Turno Enquanto Lula Reage
A 17 Dias da Eleição, Flávio Aposta no 1º Turno Enquanto Lula Reage

Faltam exatamente 17 dias para o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, e o Brasil vive sua corrida eleitoral mais polarizada desde 2022. De um lado, o presidente Lula (PT) candidato à reeleição. Do outro, o senador Flávio Bolsonaro (PL), 45 anos, carregando o peso e a força de um dos sobrenomes mais reconhecidos e divisivos da política brasileira recente.

A candidatura de Flávio Bolsonaro nasceu de uma necessidade: com o ex-presidente Jair Bolsonaro preso, cumprindo pena de 27 anos e 3 meses por participação na tentativa de golpe de Estado, e declarado inelegível pela Justiça Eleitoral, coube ao filho mais velho assumir a liderança do projeto político conservador. O PL oficializou a candidatura em convenção nacional realizada em São Paulo no dia 25 de julho, com a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, e do ex-presidente do partido Valdemar Costa Neto — que declarou abertamente que Flávio foi escolhido pelo pai para herdar a missão.

Flávio lançou a pré-candidatura em março, durante a CPAC em Dallas, Texas, prometendo vitória nas urnas caso as eleições ocorressem de forma livre e com monitoramento internacional — linguagem que ecoou o mesmo discurso de seu pai em 2022. Desde então, construiu sua plataforma sobre três pilares centrais: segurança pública rígida, oposição às agendas ambientais consideradas radicais e aliança estratégica com os Estados Unidos, especialmente no setor de terras raras, onde o Brasil é um dos maiores detentores globais de reservas.

Na reta final da campanha, Flávio Bolsonaro tem apostado alto na narrativa de vitória no primeiro turno — falando abertamente sobre o tema em lives e eventos públicos em São Paulo. "Em nome de Jesus, vamos ganhar essa eleição no primeiro turno. Quero ser o libertador da pátria", disse o candidato em um ato recente. A estratégia é clara: mobilizar o eleitor bolsonarista mais empolgado, criar senso de urgência e tentar capturar o voto útil de eleitores indecisos da direita e do centro-direita.

As pesquisas, porém, contam uma história diferente. Os levantamentos do Datafolha, Quaest e Nexus/BTG Pactual publicados entre 11 e 14 de setembro colocam Lula com vantagem de 4 a 6 pontos sobre Flávio no primeiro turno — distância que, combinada com a necessidade de atingir 50% dos votos válidos mais 1 para evitar o segundo turno, torna o cenário de vitória imediata improvável segundo analistas. No segundo turno, os cenários mostram empate técnico ou leve vantagem para o petista.

O anúncio do reajuste de 15% no Bolsa Família feito nesta quinta-feira (17) pelo governo Lula — justamente na reta final da campanha — adiciona mais uma variável ao tabuleiro. Aliados de Flávio Bolsonaro reagiram imediatamente nas redes sociais, chamando a medida de "compra de votos" e prometendo acionar a Justiça Eleitoral, enquanto analistas do mercado projetam que a medida pode ajudar Lula a consolidar o eleitorado de baixa renda nas semanas que restam até o dia 4 de outubro.

  • As três principais pesquisas eleitorais divulgadas na semana — Datafolha, Quaest e Nexus/BTG Pactual — apontam Lula na frente de Flávio Bolsonaro por entre 4 e 6 pontos percentuais no primeiro turno. No segundo turno, o cenário é mais equilibrado, com empate técnico ou vantagem pequena para o petista dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais.

  • A candidatura de Flávio Bolsonaro carrega ao mesmo tempo o ativo e o passivo do sobrenome: pesquisa da Genial/Quaest de janeiro apontou que 43% dos entrevistados acreditam que um candidato de oposição fora da família Bolsonaro teria mais chances de derrotar Lula, enquanto apenas 34% consideram que alguém com o sobrenome conseguiria vencer — tensão que nunca foi totalmente resolvida ao longo da campanha.

  • O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que era apontado como candidato mais forte da direita, decidiu concorrer à reeleição estadual — decisão que facilitou a consolidação de Flávio Bolsonaro como nome único da oposição conservadora, mas que também tirou de cena o nome com maior potencial de crescimento no eleitorado de centro.

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